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Você sabe quanto? Como saber quanto você deve realmente.
Essa pode parecer uma pergunta simples, mas muitas pessoas não conseguem responder. Sabem que têm parcelas no cartão, alguma conta atrasada, um empréstimo ou compras parceladas, mas não sabem exatamente quanto tudo isso representa.
O problema é que, quando as dívidas ficam espalhadas e não são anotadas, é muito fácil perder o controle.
Por isso, como saber quanto você deve começa por uma atitude simples: colocar tudo no papel.
Por que é importante saber quanto você deve?
Quando uma pessoa olha para cada dívida separadamente, pode ter a impressão de que está tudo sob controle.
Uma parcela de R$ 50 parece pequena. Outra de R$ 80 também. Mais uma de R$ 100 talvez não pareça representar um grande problema.
O perigo está justamente aí.
As parcelas pequenas podem se transformar em verdadeiras vilãs do orçamento. Não se iluda achando que, pelo fato de serem pequenas, elas não vão fazer diferença no final do mês.
Você só percebe o peso quando soma todas elas e descobre quanto já está comprometido.
Por isso, saber o valor total das dívidas é uma das primeiras atitudes para recuperar o controle financeiro.
O primeiro passo é colocar tudo no papel

Quando você não sabe quanto está devendo, a primeira coisa a fazer é levantar todas as despesas e compromissos financeiros.
Anote:
- Contas fixas;
- Contas variáveis;
- Parcelas de compras;
- Empréstimos;
- Contas atrasadas;
- Fatura do cartão de crédito;
- Compras parceladas no cartão;
- Outras dívidas que ainda precisam ser pagas.
Não confie apenas na memória.
Se você não tem nada anotado, fica muito mais difícil saber realmente quanto deve. Por isso, é fundamental anotar absolutamente tudo para não se perder nas contas.
Eu costumo anotar tudo que entra e sai e faço isso rigorosamente todos os meses. Sempre que compro alguma coisa, também faço uma revisão para não correr o risco de chegar ao final do mês e descobrir que o dinheiro não será suficiente para cobrir as despesas.
Esse cuidado pode parecer trabalhoso no começo, mas ajuda a enxergar a realidade financeira com muito mais clareza.
Não confunda dívida atrasada com compromissos futuros
Existe uma diferença importante entre aquilo que você está devendo neste momento e aquilo que ainda terá que pagar nos próximos meses.
Imagine que você comprou uma televisão em 10 parcelas de R$ 150 e já pagou 4.
Você não tem mais R$ 1.500 para pagar, mas ainda existem 6 parcelas de R$ 150, totalizando R$ 900 que continuarão comprometendo seu orçamento.
O mesmo acontece com compras parceladas no cartão.
Mesmo que a parcela só apareça nas próximas faturas, ela já representa um compromisso financeiro.
Por isso, quando quiser saber quanto deve realmente, não olhe apenas para as contas que estão vencidas ou para a fatura que chegou naquele mês.
É preciso considerar também os compromissos que já foram assumidos.
Faça uma lista de todas as suas dívidas
Depois de reunir todas as informações, organize tudo em uma lista.
Você pode fazer isso em um caderno, uma planilha ou até mesmo em uma agenda.
Uma forma simples é usar uma tabela:
| Dívida | Parcela | Parcelas restantes | Total restante |
|---|---|---|---|
| Cartão de crédito | R$ 200 | 5 | R$ 1.000 |
| Loja | R$ 100 | 4 | R$ 400 |
| Empréstimo | R$ 250 | 6 | R$ 1.500 |
| Conta atrasada | R$ 300 | 1 | R$ 300 |
Nesse exemplo, a pessoa ainda tem R$ 3.200 em compromissos.
É importante lembrar que, em algumas dívidas, juros, multas e encargos podem alterar o valor final. Por isso, quando houver negociação ou atraso, confira o valor atualizado diretamente com o credor.
O objetivo dessa lista não é assustar você.
É justamente o contrário.
Quando você sabe o que deve, consegue começar a decidir o que fazer.
As parcelas pequenas também precisam entrar na conta
Um dos erros mais comuns é olhar apenas para o valor de cada parcela.
Uma pessoa pensa:
“É só R$ 40.”
Depois:
“Essa é só R$ 60.”
E mais outra:
“Essa eu consigo pagar, são apenas R$ 80.”
O problema aparece quando todas elas são somadas.
As parcelas pequenas são umas verdadeiras vilãs quando não existe controle. Não se iluda achando que, por serem pequenas, não vão fazer diferença no seu orçamento.
Você só constata isso quando soma todas elas e se depara com um valor muito maior do que imaginava.
Por isso, sempre que fizer uma compra parcelada, registre a parcela e também a quantidade de meses que ainda terá que pagar.
Como saber quanto da sua renda já está comprometido
Depois de descobrir quanto você deve, é importante saber quanto dessas dívidas precisa ser pago todos os meses.
Imagine uma família que recebe R$ 3.000 por mês e possui:
- R$ 600 em parcelas;
- R$ 400 de compromissos no cartão;
- R$ 200 de outras dívidas.
Nesse caso, R$ 1.200 da renda já está comprometida com dívidas e parcelas.
Isso significa que sobra R$ 1.800 para todas as outras despesas da casa.
Essa informação é muito importante porque uma coisa é saber o valor total da dívida e outra é saber quanto precisa sair do seu dinheiro todos os meses para pagar aquilo que você deve.
O objetivo deve ser procurar manter o saldo positivo, e nunca negativo, para evitar que as contas se transformem em uma bola de neve.
Cuidado com o cartão de crédito
O cartão de crédito merece uma atenção especial quando você está tentando descobrir quanto deve.
Muitas pessoas olham apenas para o valor da fatura que precisa ser paga naquele mês e esquecem que já fizeram outras compras parceladas que aparecerão nas próximas faturas.
Além disso, o limite disponível no cartão não significa que aquele dinheiro está disponível para gastar.
Se você tem R$ 3.000 de limite, isso não significa que pode gastar R$ 3.000 sem comprometer sua renda.
Cada compra feita no cartão representa um compromisso que deverá ser pago depois.
Por isso, sempre que comprar alguma coisa, anote imediatamente. Não deixe para tentar lembrar no final do mês.
Eu considero que quem não anota as parcelas do cartão está deixando de ter responsabilidade consigo mesmo. Não devemos confiar apenas na memória quando o assunto envolve nossa saúde financeira.
Nunca devemos deixar de anotar achando que vamos lembrar de tudo, porque não lembramos.
Quanto você deve não é a mesma coisa que quanto precisa pagar neste mês
Essa diferença é muito importante.
Imagine que você descobriu que possui R$ 8.000 em dívidas.
Isso não significa necessariamente que precisa encontrar R$ 8.000 para pagar imediatamente.
Uma parte pode estar distribuída em parcelas futuras, outra pode estar vencida e outra pode ser uma conta que vence naquele mês.
Por isso, depois de descobrir o valor total, organize as dívidas de acordo com:
- O valor total devido;
- O que está atrasado;
- O que vence neste mês;
- O valor das parcelas futuras;
- Quanto você consegue pagar por mês;
- Quais dívidas precisam ser negociadas.
Saber quanto você deve realmente serve justamente para entender a situação e tomar decisões mais conscientes.

Pode acontecer.
Talvez você coloque tudo no papel e perceba que existem muito mais parcelas do que lembrava.
Pode descobrir que uma grande parte da sua renda já está comprometida.
Também pode perceber que pequenas compras feitas durante vários meses acabaram formando uma dívida considerável.
Nesse momento, não adianta simplesmente ignorar o problema.
É preciso ficar mais atento e não deixar que isso aconteça novamente.
Se você chegou a esse ponto, provavelmente faltou acompanhamento dos gastos e dos compromissos assumidos.
O primeiro passo agora é parar de aumentar o problema e começar a organizar o que já existe.
Você pode:
- Evitar novas compras parceladas;
- Reduzir gastos que não são essenciais;
- Acompanhar a fatura do cartão durante o mês;
- Negociar dívidas quando necessário;
- Procurar uma renda extra, se for possível;
- Organizar as contas de acordo com aquilo que realmente consegue pagar.
Se perceber que possui várias dívidas e o dinheiro não é suficiente para todas, vale também entender como organizar essas dívidas de forma mais prática.
Um exemplo de como pequenas dívidas podem crescer
Imagine uma pessoa que acredita estar com poucas dívidas.
Quando resolve colocar tudo no papel, encontra:
| Compromisso | Valor mensal |
|---|---|
| Cartão de crédito | R$ 350 |
| Compra parcelada | R$ 120 |
| Empréstimo | R$ 180 |
| Conta atrasada | R$ 250 |
| Outra parcela | R$ 100 |
| Total | R$ 1.000 |
À primeira vista, cada valor isoladamente pode parecer administrável.
Mas juntos representam R$ 1.000 comprometidos.
É exatamente por isso que não devemos analisar uma parcela isoladamente.
O que parece pequeno quando visto sozinho pode pesar bastante quando todas as despesas são somadas.
Como manter o controle depois de descobrir quanto deve
Descobrir quanto você deve é apenas o começo.
Depois disso, é preciso manter o controle todos os meses.
Uma maneira simples de fazer isso é:
- Anotar todas as compras;
- Registrar cada nova parcela;
- Acompanhar a fatura do cartão;
- Atualizar as parcelas que já foram pagas;
- Conferir quanto ainda falta pagar;
- Revisar as despesas antes de assumir uma nova dívida;
- Comparar o que entra com o que sai.
Eu faço essa revisão todos os meses porque não basta organizar uma vez e depois esquecer.
O controle financeiro precisa se transformar em um hábito.
Para isso, é preciso ter consciência da sua realidade, responsabilidade, foco, metas e objetivos.
Quando você sabe exatamente onde está o seu dinheiro, fica muito mais fácil perceber quando uma nova compra pode comprometer o orçamento.
Colocar tudo no papel pode mudar sua vida financeira
Muitas pessoas passam meses ou até anos sabendo apenas que estão endividadas, mas sem saber exatamente quanto devem.
Enquanto isso, continuam fazendo novas compras, assumindo parcelas e usando o cartão sem perceber o tamanho do compromisso que estão criando.
Colocar tudo no papel muda essa situação.
Você pode se surpreender ao descobrir que deve muito mais do que imaginava. Mas esse também pode ser o momento em que finalmente começa a colocar as coisas em ordem.
Não tenha medo de olhar para os números.
O problema não fica menor porque você não olha para ele.
Pelo contrário: quando você conhece a realidade, consegue começar a tomar decisões.
Conclusão
Saber quanto você deve realmente é um dos primeiros passos para colocar a vida financeira em ordem.
Não basta lembrar de algumas contas ou olhar apenas para a fatura do cartão que chegou naquele mês. É preciso anotar tudo: contas, parcelas, empréstimos, compras no cartão e outros compromissos financeiros.
Tudo muda na vida financeira de uma família quando ela coloca tudo no papel. A partir desse momento, as coisas ficam muito mais claras e evidentes.
Você pode se surpreender ao descobrir que deve muito mais do que imaginava, mas esse é justamente o momento certo para colocar as coisas em ordem e não deixar mais as finanças sem controle.
Conhecer suas dívidas não resolve tudo de uma vez, mas permite que você saiba exatamente onde está e comece a decidir para onde quer ir.
Veja também:
Como Organizar as Dívidas
O Que Fazer Quando o Orçamento Doméstico Não Fecha


